Associação Beneficente Severino Félix da Silva
[Dúvidas] Severino Félix da Silva

Um dia me peguei pensando sobre a vida, e percebi que tudo que a gente faz. Todas as dificuldades que passamos todas as amizades, todas as desavenças, todas as conquistas, todas as derrotas, ou seja, tudo isso faz parte de uma luta diária e implacável para nos mantermos vivos numa tentativa em vão de superarmos a morte. Mas pra que tudo isso, se todos morreremos um dia? Será que toda essa luta é inútil?
Foi assim que eu me senti no dia 15 de fevereiro de 2003, quando eu observei aquela mão bonita, dando adeus, com aquelas unhas bem tratadas, mesmo debilitada de doenças e dificuldades indo para O CTI do hospital da Unimed em João Pessoa, não era um adeus decepcionado de quem estava triste por estar indo embora, nem decepcionado com deus, achando que aquilo era injusto, mas era o adeus de quem sabia que tinha feito tudo que podia tudo que devia fazer aqui para os filhos, genros, noras, irmãos e tantas outras pessoas a quem ajudou.
Muito triste eu não entendia ou não queria acreditar que estava acontecendo aquilo, tinha tanta coisa pra dizer que não disse, queria que ele visse tanta coisa que infelizmente a partir daquele momento não poderia ver mais. Por isso queria acreditar que ele voltaria como voltou de tantas outras vezes que se viu nessa situação, afinal era meu pai, era meu maior ídolo, era meu super-herói, indestrutível e intocável.
Um filme passava em minha cabeça, porque ser bom? Porque lutar tanto pela vida, se vamos morrer?
Comecei a lembrar de toda a sua história de vida, das dificuldades que enfrentou, pois veio de uma família humilde, sem estudos, saindo de sua cidade natal, a cidade de Belém, onde desde cedo, trabalhou como agricultor. Veio para caiçara, casou-se com Margarida contra a vontade da família dela, teve oito filhos dentre os quais a primeira morreu com um ano e o outro morreu devido a complicações do parto, passou muita fome, calado e junto com sua mulher e seus primeiros filhos, mas sempre dando o melhor de si para sair das dificuldades, foi alfaiate, foi dono de cinema, onde viajava por toda a região, mesmo lutando com problemas de asma, foi empregado contratado do estado, e por fim oficial de justiça, quando teve que estudar e aprender a ler já com idade bem avançada, e neste ultimo emprego ficou até se aposentar.
Quando a instabilidade da sua vida começava a se acabar, dando lugar a uma vida muito humilde, mas um pouco melhor, resolveu ser político, onde concorreria com muitas pessoas de renome e inclusive seu próprio irmão e amigo, José Felix, conseguindo com a ajuda da família o sucesso e a vitória dos dois.
A partir deste momento entrava para a política e para a sociedade caiçarense um homem humilde, simples nas palavras, mas gigante em sua honestidade e vontade de trabalhar pelo próximo. Um homem que nunca negou nada que estivesse dentro de suas possibilidades, pois me lembro até do episodio em que um pedinte na bodega de Mazinho pediu uma ajuda para comprar uma camisa e foi nesse momento que esse homem que tinha um semblante tão sério, tirou sua própria camisa e lhe deu na hora.
Severino Felix era um homem sério, mas ao mesmo tempo divertido, alegre e cheio de ternura; um homem que não gostava de ir para festas, mas que adorava festas em sua casa; um homem que não batia nos filhos, mas, que como diz Valdete, um olhar seu de reprovação era muito pior; um homem que não desistia fácil, mas que sabia a hora de parar.
Quanto aos filhos fez o que pode, deu tudo de si, deu as mesmas oportunidades a todos, mesmo com poucos estudos sempre incentivou a todos para se dedicarem a estudar, a todos deu uma educação baseada no respeito, ética, moral e amor ao próximo. Não foi perfeito, mas fez o possível para dar o seu melhor. E depois de tudo que conquistou, de toda a estabilidade financeira, familiar, social, política e moral, quando finalmente se aposentou, quando podia aproveitar tudo o que lutou para conseguir, chegou sua hora, nos deixou.
Voltei então a me indagar, pra que lutar? Pra que vencer se depois todos são vencidos pela morte? E ai eu volto então a pensar naquele homem, será que tudo ficou perdido? O que é a vida eterna? Será que ela existe? Será que meu pai sabe como sinto sua falta? Pois infelizmente eu nunca pude dizer o quanto eu o amava, por pura vergonha.
Analisava eu um dia conversando com Valdete, que me parecia que nada que eu tento fazer da certo, pois já tentei fazer tanta coisa e às vezes acho que não sei qual é a minha verdadeira vocação, visto que todos os outros tem a sua, e confesso que me sentia muito inútil nesse momento, mas um dia em casa eu me lembrava que sou o único filho que tem o sobrenome Felix da silva, ou seja, sou o único que pode dar continuidade ao nome do meu pai, não sei bem ainda qual a minha vocação, mas sei de uma coisa, só de ter sido filho de quem sou já valeu, pois tenho um motivo para me orgulhar e orgulhar meus filhos, pois mesmo se não tiver todo esse sucesso de que meu pai, ou até mesmo meus irmãos tiveram, trago comigo sua educação, suas características, e seus exemplos de vida, no qual o principal deles é lutar, lutar até conseguir ou não, mas lutar.
Bem se a vida após a morte existe, eu não posso dizer, pois isto é uma questão metafísica, teológica e até filosófica, mas posso dizer e afirmar com certeza que existe a vida eterna e que, com certeza meu pai está nela. Pois ao observar toda a trajetória de vida de “Bila”, ”BiBi”, ou seu Severino, vi que ele não morreu, pois ele vive em cada um de seus familiares, quando nos ajudamos uns aos outros, quando nos unimos, quando brigamos, quando estamos tristes ou alegres, vive em cada uma das pessoas que ajudou ou que o ajudaram, pois nessa luta constante para sobreviver ele ficou vivo em nossa memória, com boas lembranças, histórias e feitos inesquecíveis. Severino Felix da silva hoje vive em todos nós.
Severino Félix da Silva Júnior
19/03/09
| Imprimir artigo | Este artigo foi escrito por Michel Lima em 27 de março de 2009 às 13:32, e está arquivado em Crônicas, Geral. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site. |


há 1 mês atrás
Meus nobres amigos conterrâneo, quem teve o prazer, a oportunidade de conhecer e conviver com Sr. Bila, como eu tive (graças ao Bom e Eterno Deus), foi agraciado com um apredizado rico em todos os aspéctos, a começar com a bese que é a família, um homem exemplar, político honrado eu amigo querido por todos que os cercavam. Homem dígno de ser homanageado e lembrado onde quer que estejamos.
Portanto me sinto feliz em expressar essas palavras sobre o cidadão caiçarense, o Ilmo. Sr. Severino Felix da Silva (Bila).
Tenho a sua imagem em minha mente e levo comigo sempre o seu exemplo de pai, chefe de familia, onde com ele aprendi a ser um homem com o carater que ele sempre reprentava quando eu o consultava sobre os rumos de minha vida.
Me sinto lisongiado em tc esses comentário sobre esse perssonagem de nossa riquíssima história. abrigado.
Respeitosamente,
Williams (Maninho)
RJ, 26JUL2010.