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	<title>ABESFES &#187; Crônicas</title>
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	<description>Associação Beneficente Severino Félix da Silva</description>
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		<title>Questão de mau gosto, uma crítica ao forró atual</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Jul 2010 22:25:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Frazão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Iniciemos com uma viagem pelo tempo através de algumas lembranças das paradas musicais que “estouraram” na nossa região. A primeira onda que tenho lembrança foi a do rock nacional nos anos 80. Ainda criança, lembro do pessoal ouvindo sucessos de bandas como RPM, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, etc. Me vem à memória também o]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Iniciemos com uma viagem pelo tempo através de algumas lembranças das paradas musicais que “estouraram” na nossa região. A primeira onda que tenho lembrança foi a do rock nacional nos anos 80. Ainda criança, lembro do pessoal ouvindo sucessos de  bandas como RPM, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, etc. Me vem à memória também o tempo da lambada quando Beto Barbosa e Selminha estavam “estourados”. Diretamente da Bahia, veio o “furacão” do axé, com destaque para Luiz Caldas e Chiclete com Banana que abriram caminhos para muitos outros que fizeram com que esse ritmo não saísse mais das paradas. Vieram as duplas sertanejas. Vez por outra, principalmente no carnaval, o funk também caia e ainda cai no gosto da galera. Tivemos também o tempo em que os grupinhos de pagode eram a sensação. Enfim, “ondas musicais” não faltaram nos últimos anos.</p>
<p style="text-align: justify;">No final dos anos 80 e começo da década de 90 o forró tinha seu espaço através de nomes como Alcimar Monteiro, Flávio José, Jorge de Altinho e outros. Foi então que, em 1993, a banda Mastruz com Leite, fez grande sucesso com um forró diferente, o chamado “forró eletrônico”. Ao lado dela surgiram muitas bandas de forró como Cavalo de Pau, Mel com Terra, Magníficos, Calango Aceso, etc., dando início ao movimento “Oxente Music”.</p>
<p style="text-align: justify;">Se por um lado essas bandas trouxeram o nosso ritmo mais tradicional para o topo das paradas, tornando o forró atraente para os jovens, elas também desvirtuaram o forró original, o típico “pé-de-serra”, e foram muito criticadas, inclusive por nomes como Alceu Valença e Dominguinhos, que batizou o novo ritmo de “Forró de Plástico”. Entretanto, até aí, as temáticas das músicas giravam principalmente em torno de amor e de temas nordestinos.</p>
<p style="text-align: justify;">As festas da nossa região eram geralmente animadas por conjuntos musicais como Impacto Cinco, Montagem, Terríveis, Tuaregs, Grafith, Circuito Musical, etc. Eram bandas que tocavam de tudo, o que tornava as festas mais democráticas e menos tediosas. Tinha reggae, rock, axé, Jovem Guarda, música internacional, a tão esperada “música lenta” para os casais dançarem agarradinhos, além, é claro de forró. Em pouco tempo os conjuntos de forró foram ocupando o espaço desses grupos e passamos a ter festas inteiras só com forró, o que antes só acontecia nos “forrós” dos sítios.</p>
<p style="text-align: justify;">Várias bandas se revezaram no topo das paradas. Recentemente, tivemos a fase em que o destaque era um forró mais romântico como os de Calcinha Preta, Limão com Mel e Desejo de Menina. Havia também um estilo que era mais característico das vaquejadas onde se destacavam nomes como Sirano e Sirino, Delmírio Barros, Tom Oliveira, Gaviões do Forró, etc. Com eles as canções giravam mais em torno da chamada “vida de gado”, falavam de cachaça, de prostituição, enfim, exaltavam o chamado “cabra desmantelado”. Nos últimos anos, no entanto, as outras bandas passaram a adotar esse repertório e, infelizmente, caíram na boca do povo.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje vivemos uma fase terrível em termos de “gosto musical”, praticamente todos os hits incitam o consumo exagerado de álcool, tratam a mulher como objeto, exaltam a prostituição e a infidelidade, são tempos de Aviões do Forró, Duquinha, Saia Rodada, Garota Safada e muitas outras. O ideal para essas bandas é que os rapazes sejam “safadões” e as moças “raparigas”. É duro ver artistas como Flávio José dizendo que às vezes falta motivação para compor sabendo que um indivíduo gritando três palavrões fará muito mais sucesso. A própria banda Calcinha Preta cantou recentemente: “se falar de cabaré, tá estourado! Se falar que é cachaceiro, tá estourado!”. A que ponto chegamos!</p>
<p style="text-align: justify;">No rastro dessa pornografia musical, para piorar, veio o modo de ouvi-la. Seja na base do “abra mala e solte o som” de Duquinha, ou do falado “paredão”, o que não faltam são imbecis que se exibem com sons nos mais altos volumes. Assim, além de ter a audição prejudicada pela poluição sonora, todos são obrigados a ouvir suas músicas. “Obrigados” entre aspas, pois a perturbação do sossego alheio é crime a qualquer hora do dia e as pessoas, depois de pedirem e não serem atendidas, deviam ter mais coragem de denunciar, os incomodados têm que mudar, como também as autoridades policiais devem intervir em prol da maioria.</p>
<p style="text-align: justify;">Pode ser que alguns argumentem que se trata apenas de uma música e que ninguém está obrigado a fazer o que a letra diz. A realidade infelizmente mostra que essas músicas têm um efeito muito danoso. Hoje sabemos que a influência dos amigos é muito forte na formação da personalidade, na maioria das vezes maior que a dos pais. Sabemos também que o jovem procura sempre se destacar no seu grupo. Assim, tem sido cada vez mais comum vermos adolescentes consumindo álcool cada vez mais cedo, o que é muito ruim, pois os mecanismos cerebrais responsáveis pelo prazer ainda estão em formação nessa fase e ao experimentar o álcool será mais difícil largá-lo. Logo, quanto mais cedo se consumir, mais chances de tornar-se um alcoólatra. Outra péssima notícia é o aumento de garotas consumindo álcool. Parece que quem não se embriaga não tá com nada. Saia dessa! Seja mais você!</p>
<p style="text-align: justify;">Ao contrário do que a música mostra, cachaça não tem graça. Embora seja uma droga liberada, seu efeito social é mais devastador do que outras que são proibidas. Se analisarmos os crimes veremos que em sua grande maioria são cometidos sob o efeito do álcool. A tão exaltada “bagaceira”, ou seja, aquele fim de festa com quase todos bêbados, é onde mais acontecem brigas que fazem com que muitos jovens percam suas vidas ou as estraguem com anos de prisão. Para comprovar outro lado sinistro do álcool, procure falar com uma família que tem um alcoólatra e também será fácil conhecer outras que foram destruídas devido à “branquinha”. Sem falar no nosso recorde de mortes no trânsito. Será que nunca vai acontecer com você?</p>
<p style="text-align: justify;">Até bandas já consagradas como Mastruz com Leite aderiram ao baixo nível. Veja um trecho da mensagem de encerramento de um site de fãs de Mastruz: “o grupo tomou outros rumos. Aquilo que criticávamos em outras bandas, (a apelação exacerbada, a imoralidade), agora também é uma bandeira mastruzeira. Seríamos hipócritas, se defendêssemos o Mastruz em detrimento dos outros grupos, enquanto o Mastruz não é mais nenhum referencial da boa música”.</p>
<p style="text-align: justify;">O escritor Ariano Suassuna, fez uma forte crítica ao forró atual depois de ouvir uma amostra com as músicas ‘Calcinha no chão’ (Banda Caviar com Rapadura),‘Zé Priquito’ (Cantor Duquinha), ‘Fiel à putaria’ (Banda de Felipão Forró Moral), ‘Chefe do puteiro’ (Banda Aviões do forró), ‘Mulher roleira’ (Banda Saia Rodada), ‘Mulher roleira a resposta’ (Banda Forró Real), ‘Chico Rola’ (Banda Bonde do Forró), ‘Banho de língua’ (Banda Solteirões do Forró), ‘Vou dá-lhe de cano de ferro’ (Banda Forró Chacal), ‘Dinheiro na mão, calcinha no chão’ (Banda Saia Rodada), ‘Sou viciado em putaria’ (Banda Ferro na Boneca), ‘Abre as pernas e dê uma sentadinha’ (Banda Gaviões do forró),  e ‘Tapa na cara, puxão no cabelo’ (Banda Swing do forró). Segundo o mestre, “&#8230; o que se autodenomina ‘forró estilizado’ continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem ‘rapariga na platéia’, alguma coisa está fora de ordem.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é ‘E vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!’, alguma coisa está muito doente.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos… não precisa dizer mais nada…”</p>
<p style="text-align: justify;">Ariano também enfatizou que uma situação musical semelhante aconteceu na antiga Iugoslávia quando o país estava esfacelando-se devido às guerras. Um estilo chamado turbo folk, com músicas de mau gosto cantadas por artistas seminuas, fez a cabeça da juventude. Um estudioso constatou que essa música representava uma geração que perdeu a crença nos políticos e nos valores morais.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas você pode pensar também que apenas ouvindo sua música não está fazendo mal a ninguém. Ora, você está ajudando a disseminar esse lixo e quantos mais ouvirem, muitos mais ouvirão, por que infelizmente, até pessoas com certo nível educacional, que deveriam levantar a voz e dar exemplo, estão nessa de “Maria-vai-com-as-outras”. Pare para pensar na música que você está curtindo. Eu teria vergonha de comprar um CD ou ouvir esse tipo de música. Ao levar um CD desses para sua casa pense nos valores que você está passando para seus filhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Estamos numa sociedade que carece de bons exemplos. Fico imaginando o que passa pela cabeça de figuras como “Wesley Safadão”, que sabe que faz a cabeça de muitos jovens e segue lhes orientando para o que há de pior. Temos que ter cuidado com nossos ídolos, na MPB e no rock, por exemplo, também temos nomes, que não são exemplos de vida pra ninguém, como Tim Maia, Cazuza e Renato Russo, é preciso discernimento. Figuras públicas deveriam ter mais cuidado com o exemplo que estão passando.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas bandas só pensam em dinheiro. Elas procuram apostar no que nos temos de pior e o sucesso que fazem mostram que nosso nível moral, educacional e cultural é péssimo. Nós somos mais culpados do que as bandas. Somos nós que disseminamos esse tipo de música. Somos nós que ligamos para as rádios e, ao invés de criticá-las, pedimos para ouvi-las. Existem alguns administradores que, por incrível que pareça, gostam dessas bandas que contratam, outros, no entanto, pensam politicamente e procuram agradar a maioria.</p>
<p style="text-align: justify;">Não nos enganemos achando que só o forró exalta o que não presta, praticamente todos os ritmos o fazem. Temos o rock que também está associado a drogas, temos o axé pornográfico, o funk, e muito mais. Cabe um mínimo de bom senso para separar o joio do trigo. A música brasileira tem uma diversidade maravilhosa, além de ter muita música internacional bacana que nossa juventude está fadada a desconhecer limitando-se ao que há de pior de um único estilo ou ao que a mídia “manda” ouvir.</p>
<p style="text-align: justify;">Enfim, ante o estrago que estas músicas fazem, não basta apenas que não ouçamos, é preciso que digamos em alto e bom som que elas não prestam, só assim influenciaremos outros e diminuiremos o prejuízo. Quando a chamada “questão de gosto” passa a prejudicar os demais ela tem que ser discutida sim. Ademais, acho que as pessoas deveriam pensar se realmente gostam dessas músicas ou se estão ouvindo só por que é sucesso. Quando Michael Jackson morreu muita gente que achava sua música e sua dança ridículas virou fã por um mês. Falta personalidade! Falta atitude!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">P.S. Sobre as festas juninas, espero que muitos curtam, revejam os amigos, passeiem, namorem, paquerem ou “fiquem”, dancem (se possível, sem dar ouvidos ao que essas atrações vão cantar) e bebam com moderação. Boas festas!!!(Se gostou, passe adiante!)</p>
<p style="text-align: right;"><em>ABAIXO O FORRÓ DO MAL!!! &#8211; Prof. Jocelino(profjocelino@caicarapb.com) 17/06/2010.</em></p>
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		<title>A escravidão acabou?</title>
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		<pubDate>Wed, 20 May 2009 13:26:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Michel Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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		<description><![CDATA[Agora, dia 13/05/2009, fez-se 121 anos em que a escravidão acabou no Brasil oficialmente. Exatamente no dia 13 de Maio de 1888, a princesa Isabel assinava a lei áurea, deixando todo e qualquer escravo livre, livre? Ontem era dia 13 de maio e ao assistir o programa do Jô, ouvia o apresentador dizer que, exatamente]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-311 aligncenter" title="escravidao" src="http://www.abesfes.com/wp-content/uploads/2009/05/escravos-298x300.jpg" alt="escravidao" width="298" height="300" /></p>
<p>Agora, dia 13/05/2009, fez-se 121 anos em que a escravidão acabou no Brasil oficialmente. Exatamente no dia 13 de Maio de 1888, a princesa Isabel assinava a lei áurea, deixando todo e qualquer escravo livre, livre?</p>
<p>Ontem era dia 13 de maio e ao assistir o programa do Jô, ouvia o apresentador dizer que, exatamente naquele dia estávamos comemorando a lei Áurea, lei responsável por acabar com a escravidão no Brasil, que, diga-se de passagem, foi o ultimo a terminar com essa demonstração de irracionalidade e bestialidade que havia naquele período.<br />
Foi quando pensei pôxa, se festejam vários dias no Brasil durante o ano, festejamos muitas outras datas, mas como será que encaramos a esta data especifica. Confesso que não sei.</p>
<p><span id="more-310"></span>Quando era pequeno via a princesa Isabel como uma heroína, mas será que realmente é? Será que essa liberdade, ou que essa lei só trouxe benefícios aos escravizados?<br />
Ao assinar a Lei áurea a princesa liberava os escravizados, que em 99,9% eram negros, de seus trabalhos forçados, e na teoria os igualava a qualquer outra pessoa de qualquer meio social.<br />
Não foi bem assim, a maioria dos negros ficou sem ter para onde ir, sem ter o que comer e como já viviam separados de suas famílias e pátrias e, por conseguinte não possuíam nenhuma qualificação profissional. Ficaram nas ruas, perderam espaço para os Imigrantes italianos e Japoneses em sua maioria. Pois os próprios fazendeiros e industriais ricos (ou seja, a elite como um todo), preferiam contratar mão-de-obra estrangeira a contratar ou pagar salários aos negros que ali já existiam.<br />
O que quero dizer com isso é que desses 121 anos de liberdade adquirida por parte dessas pessoas tão humilhadas e sofridas onde muitas dificuldades se perpetuam ainda hoje, vemos ainda um grande preconceito oculto em nossa sociedade que vive esse mito de dizer que temos uma mistura de raças onde todos se integram e respeitam mutuamente. Claro que não é assim.<br />
Podemos comprovar como os descendentes desses povos escravizados ainda sofrem no Brasil de hoje, basta ver a situação financeira e cultural da maioria dos Afro-brasileiros hoje, vivem em favelas e sofrendo com a discriminação e a falta de oportunidade, pois além do preconceito racial se agrega a eles o preconceito social, sendo eles segregados pela cor e pela situação financeira.<br />
Continuava a pensar como fazer para isso melhorar? Poderia falar aqui várias soluções e saídas para este problema, poderia também colocar a culpa no governo, em Deus e nos outros. Mas acho que a melhor maneira de resolvermos isso é aceitarmos que no sangue de todos os brasileiros corre o sangue Africano, Indígena e Europeu e que ao darmos as mãos, a sobra desse gesto refletida no chão é a mesma.<br />
Nós não precisamos cobrar dos outros para que nos aceitem, nós só precisamos de respeito às diferenças e as diversidades, e no dia que isso acontecer, aí sim poderemos dizer que o Brasil tem futuro.</p>
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		<title>Solidários Somos Todos</title>
		<link>http://www.abesfes.com/2009/04/solidarios-somos-todos/</link>
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		<pubDate>Wed, 15 Apr 2009 02:04:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Michel Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje, sábado, dia 04/04/2009, acordei às seis horas da manhã para uma reunião que não esperava ser produtiva. Pois quando estamos colocando os interesses dos outros na frente dos nossos, nem sempre levamos a sério, ou os encaramos com a importância verdadeira e real que eles realmente tem. Hoje poderia ser mais um sábado monótono,]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-248 aligncenter" title="Oito Maneiras" src="http://www.abesfes.com/wp-content/uploads/2009/04/oito-maneiras-300x249.jpg" alt="Oito Maneiras" width="300" height="249" /></p>
<p style="text-align: left;">Hoje, sábado, dia 04/04/2009, acordei às seis horas da manhã para uma reunião que não esperava ser produtiva. Pois quando estamos colocando os interesses dos outros na frente dos nossos, nem sempre levamos a sério, ou  os encaramos com a importância verdadeira e real que eles realmente tem.<br />
Hoje poderia ser mais um sábado monótono, onde as pessoas que acham que o tempo que tem para pensarem em si mesmas e em seus próprios interesses, é pouco, pois sempre queremos mais do bom e do melhor para nós, sem pensarmos em nossos semelhantes, nessa incansável busca inútil por saciar os nossos desejos egoístas, capitalistas e fúteis, de conseguirmos o Máximo que podemos e queremos para nós mesmos da maneira mais fácil possível.</p>
<p style="text-align: center;"><span id="more-249"></span></p>
<p style="text-align: left;">Quando não nos preocupamos com o bem estar do próximo; quando não nos preocupamos com os rumos que nosso país, nosso estado ou nossa cidade vão tomar; quando passamos pelas ruas e desviamos dos mendigos que ali estão, até tendo nojo e medo deles, como se as suas &#8220;doenças&#8221; (sua pobreza), fossem contagiosas. Enfim, quando nos comportamos de maneira individualista, antiética hipócrita e amoral, nos sentimos mal. Nos sentimos mal? Por que? O que nos leva a sentirmos esse peso? Talvez o fato de não sabermos o amanhã; talvez o fato de que o amanhã nem exista; talvez o fato de nos sentirmos responsáveis, de alguma forma por toda essa mizéria, toda essa pobreza, toda essa desigualdade; ou simplesmente pelo fato de sermos tão egoístas de não querermos nem ver aquilo de ruim que nós mesmos produzimos.<br />
Mas este sábado era diferente, este era o sábado da paz, união, alegria, amor e principalmente, este era o sábado da solidariedade. Pois foi neste dia tão ensolarado e quente, que o calor humano, juntamente com o poder que tem o povo quando este resolve dar as mãos, arregaçando as mangas para trabalhar unido que aconteceu um fato inesperado que por todos era esperado, ou melhor, todos nós da ABESFES sonhávamos com esse momento.<br />
Este sábado foi o dia em que juntamente com todos os segmentos da sociedade: Vereadores, representantes de grupos culturais, religiosos e entre outros, em que através do dialogo, da explicação da importância da construção da nossa sede própria, dos benefícios que a ABESFES trouxe e traz para caiçara e todas as pessoas carentes que lá residem, assim como toda a população no geral.<br />
Ao discursar, seguido de todos os representantes da sociedade, falava eu, da importância de nos unirmos em prol de um único objetivo, que é o da construção da nossa sede, e dos benefícios que isso trará para todos nós, ou seja, se nós já ajudamos caiçara, podemos ajudar ainda mais.<br />
O objetivo dessa reunião era o de conscientizar as pessoas que já foram ajudadas por nós, através de sextas básicas ou cursos profissionalizantes, para nos ajudarem em forma de mutirão, ou de doação de materiais de construção, para darmos continuidade ao nosso sonho de termos nosso prédio, com toda a estrutura necessária para os nosso convênios e projetos. Claro que não queríamos dinheiro, queríamos apoios das pessoas para que pudéssemos ter mais força de trabalho ou de persuasão.<br />
Sei que após todos esse discursos de conscientização, se ouviu o barulho ensurdecedor do silencio das pessoas que estavam naquele recinto. Foi então que eu pensei, &#8220;é mais um discurso que se desmancha no ar e vence novamente o egoísmo&#8221;. Mas de repente, uma a uma as pessoas começaram a dar seu nome para participar do mutirão, os que não podiam, se encarregavam de arrumar mais pessoas ou de doar materiais de construção.<br />
Era um sonho se tornando realidade, eu via ali um exemplo genuíno e verdadeiro de solidariedade pura, pessoas humildes oferecendo o que podiam para nos ajudar, a seu trabalho a sua coragem e a sua confiança.<br />
Confesso que fiquei surpreso, assim como todos que estavam ali, talvez tentando só por tentar, mais depois descobri que, quando nós fazemos um trabalho sério e comprometido com a verdade, com um motivo norteador que é o de ajudar o próximo esse trabalho é reconhecido, e esse reconhecimento é o que faz as pessoas se engajarem e lutarem conosco pela mesma causa.<br />
Bem depois de sábado posso dizer que o placar ficou assim: Solidariedade (ABESFES) 1 x 0 Individualismo.</p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: x-small;">Severino Félix da Silva Júnior 04/04/09</span></p>
<img src="http://www.abesfes.com/?ak_action=api_record_view&id=249&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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		<title>[Dúvidas] Severino Félix da Silva</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Mar 2009 16:32:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Michel Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dia me peguei pensando sobre a vida, e percebi que tudo que a gente faz. Todas as dificuldades que passamos todas as amizades, todas as desavenças, todas as conquistas, todas as derrotas, ou seja, tudo isso faz parte de uma luta diária e implacável para nos mantermos vivos numa tentativa em vão de superarmos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-220 aligncenter" title="severino-felix" src="http://www.abesfes.com/wp-content/uploads/2009/03/severino-felix1-300x225.jpg" alt="severino-felix" width="300" height="225" /></p>
<p>Um dia me peguei pensando sobre a vida, e percebi que tudo que a gente faz. Todas as dificuldades que passamos todas as amizades, todas as desavenças, todas as conquistas, todas as derrotas, ou seja, tudo isso faz parte de uma luta diária e implacável para nos mantermos vivos numa tentativa em vão de superarmos a morte. Mas pra que tudo isso, se todos morreremos um dia? Será que toda essa luta é inútil?</p>
<p>Foi assim que eu me senti no dia 15 de fevereiro de 2003, quando eu observei aquela mão bonita, dando adeus, com aquelas unhas bem tratadas, mesmo debilitada de doenças e dificuldades indo para O CTI do hospital da Unimed em João Pessoa, não era um adeus decepcionado de quem estava triste por estar indo embora, nem decepcionado com deus, achando que aquilo era injusto, mas era o adeus de quem sabia que tinha feito tudo que podia tudo que devia fazer aqui para os filhos, genros, noras, irmãos e tantas outras pessoas a quem ajudou.</p>
<p>Muito triste eu não entendia ou não queria acreditar que estava acontecendo aquilo, tinha tanta coisa pra dizer que não disse, queria que ele visse tanta coisa que infelizmente a partir daquele momento não poderia ver mais. Por isso queria acreditar que ele voltaria como voltou de tantas outras vezes que se viu nessa situação, afinal era meu pai, era meu maior ídolo, era meu super-herói, indestrutível e intocável.</p>
<p style="text-align: center;"><span id="more-161"></span></p>
<p>Um filme passava em minha cabeça, porque ser bom? Porque lutar tanto pela vida, se vamos morrer?</p>
<p>Comecei a lembrar de toda a sua história de vida, das dificuldades que enfrentou, pois veio de uma família humilde, sem estudos, saindo de sua cidade natal, a cidade de Belém, onde desde cedo, trabalhou como agricultor. Veio para caiçara, casou-se com Margarida contra a vontade da família dela, teve oito filhos dentre os quais a primeira morreu com um ano e o outro morreu devido a complicações do parto, passou muita fome, calado e junto com sua mulher e seus primeiros filhos, mas sempre dando o melhor de si para sair das dificuldades, foi alfaiate, foi dono de cinema, onde viajava por toda a região, mesmo lutando com problemas de asma, foi empregado contratado do estado, e por fim oficial de justiça, quando teve que estudar e aprender a ler já com idade bem avançada, e neste ultimo emprego ficou até se aposentar.</p>
<p>Quando a instabilidade da sua vida começava a se acabar, dando lugar a uma vida muito humilde, mas um pouco melhor, resolveu ser político, onde concorreria com muitas pessoas de renome e inclusive seu próprio irmão e amigo, José Felix, conseguindo com a ajuda da família o sucesso e a vitória dos dois.</p>
<p>A partir deste momento entrava para a política e para a sociedade caiçarense um homem humilde, simples nas palavras, mas gigante em sua honestidade e vontade de trabalhar pelo próximo. Um homem que nunca negou nada que estivesse dentro de suas possibilidades, pois me lembro até do episodio em que um pedinte na bodega de Mazinho pediu uma ajuda para comprar uma camisa e foi nesse momento que esse homem que tinha um semblante tão sério, tirou sua própria camisa e lhe deu na hora.</p>
<p>Severino Felix era um homem sério, mas ao mesmo tempo divertido, alegre e cheio de ternura; um homem que não gostava de ir para festas, mas que adorava festas em sua casa; um homem que não batia nos filhos, mas, que como diz Valdete, um olhar seu de reprovação era muito pior; um homem que não desistia fácil, mas que sabia a hora de parar.</p>
<p>Quanto aos filhos fez o que pode, deu tudo de si, deu as mesmas oportunidades a todos, mesmo com poucos estudos sempre incentivou a todos para se dedicarem a estudar, a todos deu uma educação baseada no respeito, ética, moral e amor ao próximo. Não foi perfeito, mas fez o possível para dar o seu melhor. E depois de tudo que conquistou, de toda a estabilidade financeira, familiar, social, política e moral, quando finalmente se aposentou, quando podia aproveitar tudo o que lutou para conseguir, chegou sua hora, nos deixou.</p>
<p>Voltei então a me indagar, pra que lutar? Pra que vencer se depois todos são vencidos pela morte? E ai eu volto então a pensar naquele homem, será que tudo ficou perdido? O que é a vida eterna? Será que ela existe? Será que meu pai sabe como sinto sua falta? Pois infelizmente eu nunca pude dizer o quanto eu o amava, por pura vergonha.</p>
<p>Analisava eu um dia conversando com Valdete, que me parecia que nada que eu tento fazer da certo, pois já tentei fazer tanta coisa e às vezes acho que não sei qual é a minha verdadeira vocação, visto que todos os outros tem a sua, e confesso que me sentia muito inútil nesse momento, mas um dia em casa eu me lembrava que sou o único filho que tem o sobrenome Felix da silva, ou seja, sou o único que pode dar continuidade ao nome do meu pai, não sei bem ainda qual a minha vocação, mas sei de uma coisa, só de ter sido filho de quem sou já valeu, pois tenho um motivo para me orgulhar e orgulhar meus filhos, pois mesmo se não tiver todo esse sucesso de que meu pai, ou até mesmo meus irmãos tiveram, trago comigo sua educação, suas características, e seus exemplos de vida, no qual o principal deles é lutar, lutar até conseguir ou não, mas lutar.</p>
<p>Bem se a vida após a morte existe, eu não posso dizer, pois isto é uma questão metafísica, teológica e até filosófica, mas posso dizer e afirmar com certeza que existe a vida eterna e que, com certeza meu pai está nela. Pois ao observar toda a trajetória de vida de “Bila”, ”BiBi”, ou seu Severino, vi que ele não morreu, pois ele vive em cada um de seus familiares, quando nos ajudamos uns aos outros, quando nos unimos, quando brigamos, quando estamos tristes ou alegres, vive em cada uma das pessoas que ajudou ou que o ajudaram, pois nessa luta constante para sobreviver ele ficou vivo em nossa memória, com boas lembranças, histórias e feitos inesquecíveis. Severino Felix da silva hoje vive em todos nós.</p>
<p><em>Severino Félix da Silva Júnior</em></p>
<p><em>19/03/09</em></p>
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