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	<title>ABESFES &#187; Histórias e potocas de caiçara</title>
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	<description>Associação Beneficente Severino Félix da Silva</description>
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		<title>Privida  Parte 1</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Sep 2009 12:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Michel Lima</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-369 alignnone" title="MUNICIPAL DE 76-800" src="http://www.abesfes.com/wp-content/uploads/2009/09/MUNICIPAL-DE-76-800-300x225.jpg" alt="MUNICIPAL DE 76-800" width="300" height="225" /></p>
<p style="text-align: left;">Severino do Ramo não sei do que, era assim que se chamava o jovem ativo e meio desengonçado que não tinha lugar certo de morar, de comer ou dormir. Vivia pelo meio da rua com roupas rasgadas, em sua maioria de segunda mão, doadas por alguém com maior estatura ou mais gordo. Me lembro que este garoto era filho de seu Zé Preto, que na verdade não sei bem onde morava. Acho que lá no fala baixinho. Zé Preto era irmão de seu Zé Francisco da padaria, que era pai do nosso querido amigo Silva. Voltando ao Severino do Ramo: um belo dia, lá na frente da Igreja onde seu Zé Carneiro sempre encostava o seu caminhão para fazer alguma manutenção e os meninos ficavam brincando por ali subindo e descendo da carroceria, Severino do Ramo era um daqueles que mais enchia o saco tentando ajudar. Então veio o apelido PRIVIDA (Presília é uma peça pequena que serve para prender ou travar outras peças) e por PRIVIDA ficou.</p>
<p style="text-align: left;">Esse moleque precisava se virar para sobreviver: fazia recados, vendia salgados pelas ruas e outras peripécias. Mas o que ele gostava mesmo era de cinema e jogar futebol. Saia pelas ruas carregando nas costas uma armação de madeira onde eram pregados os cartazes dos filmes que iriam ser exibidos. O pagamento por isso era apenas a entrada para assisti-lo. Gostava muito de todo tipo de filme, mas se extasiava mesmo era com os filmes de cowboys. Naquela época, eram os atores como Giulliano Gemma, Antonio Steaf, John Waine e outros. Como não sabia ler nem escrever, ele decorava as cenas dos filmes e já previa os acontecimentos. No dia seguinte, juntava a molecada e ia brincar de bang-bang nas barrancas do rio curimataú e por traz dos quintais das casas da rua grande. Era moleque solto. Juro que às vezes sentia inveja dele pela liberdade que tinha. Devia ser uns dez anos mais velho que eu. Como não tinha parada certa, as vezes passava lá em casa, próximo da hora do almoço. Aí aproveitava e fazia uma boquinha. Naquela época meu pai era fiel depositário do único cinema que tinha em Caiçara, o CINE SÃO JOÃO, que funcionava em um prédio situado na Avenida Rio Branco, ali vizinho a casa de seu Pedro Alves. Esse cinema foi fundado pelo grupo ANDERSON CLEITON que era dono da usina de beneficiamento de sisal, que depois virou massa falida e os bens ficaram retidos na justiça. Então papai, que era apaixonado por cinema, conseguiu ficar como fiel depositário, pagando o aluguel na justiça.</p>
<p style="text-align: left;">O distribuidor dos filmes era sediado em Belém. A estrada era péssima. Só havia o Caminhão misto de seu Zé Erminegídio (seu Zé Caça Morta), que fazia a linha. Nas segundas-feiras ia para Belém e nas quartas e sábados ia para Guarabira nos dias de feira. Na época das chuvas não havia condições de trafego, então o PRIVIDA ia a pé para Belém e voltava com aquela caixa de aço, que pesava mais ou menos uns trinta quilos, nas costas trazendo os três carretéis de aço com a fita magnética que ia encher de prazer a garotada. Seu pagamento eram a entrada do cinema e uns pratos de comida.</p>
<p style="text-align: left;">Quando o rio enchia era um verdadeiro carnaval em suas margens. A turma ia tomar banho e desfrutar um pouco das brincadeiras. Entre os garotos, sempre estava o Privida e sempre era o que mais se sobressaía. Então, a galera fazia apostas para pular na água de várias maneiras. Um dia fizeram uma aposta pra ver se ele conseguia sair da água com as mãos amarradas. Pegaram ele e amarraram seus pés e mãos com correias de salsa (uma planta que nasce nas margens do rio cujos ramos parecem com os da batata doce) o empurraram no rio que estava muito cheio. Quase que ele morre afogado! Mas eu disse quase!</p>
<p style="text-align: left;">O garoto foi crescendo e cada vez mais ficando desordeiro. As vezes fazia pequenos furtos e se dava bem. Mas noutras era pego e fazia um escarcel danado, sempre se safando das garras da lei. Um dia, o pegaram e levaram para o PINDOBAL (acho que era esse o nome), uma instituição que abrigava menores infratores e ficava lá pros lados de Rio Tinto. Todos os meninos da região morriam de medo daquele lugar. Mas nem o PINDOBAL o conteve. Ele acabou fugindo e apareceu em Caiçara logo depois de uma semana que tinha sido internado e até hoje não se sabe como fugiu, nem como veio de lá. De outra feita, estava brigando lá no bilhar de Sabueiro e foi abordado por um  policial que lhe deu voz de prisão. Mas um só não levava ele preso e o meganha já sabia, por isso sacou o revólver e o ameaçou dando-lhe ordem para caminhar à sua frente. Foi aquele alvoroço danado na Rua Grande (Rua João Pessoa): o povo saia nas janelas pra ver, pela primeira vez, Privida sendo preso e ainda conduzido por apenas um homem. Mas ele só ia porque estava na frente de um trinta e oito carregado de balas.</p>
<p style="text-align: left;">Então, lá se ia o cortejo na frente Privida e, logo atrás o soldado (ou era sargento) com o revólver na mão bem colado ao corpo do meliante. Ha alguns metros atrás, alguns curiosos que queriam ver de perto o desfecho daquele bang-bang caiçarense. Passaram na frente da casa de seu Cazuza, na frente da casa de Dona Catarina e foi subindo. Quando passou em frente a casa de seu Madruga, o Privida deu uma parada e olhou para traz, mas o soldado deu uma cutucada em suas costas com o revólver. Então, ele deu um pulo e continuou a caminhada. Só que antes de pular para frente, ele notou que o dedo do homem não estava no gatilho (isso ele me contou muito tempo depois), nesse momento aquela rua parecia uma noite de Festa de Reis. O malandro calculou bem o tempo, a distância entre ambos e o local apropriado para a cartada final ou para tirar a carta da manga. Quando chegou ali, bem na frente ao bar de seu Gino, que ficava na esquina da pracinha onde hoje é a Escola Municipal João Alves, bem naquela rua que dava direto no fala baixinho e consequentemente no rio, começou a tentar dialogar com o policial e foi dizendo que não era bem assim que ele tava fazendo injustiça que a culpa era do outro que brigara com ele e por aí. Enquanto isso, foi observando a posição do agora seu inimigo. Foi conversando e isso foi tirando a atenção do seu algoz. De repente, deu um salto em cima do soldado batendo em sua mão e de um sopapo só, tirou o revólver da mão do policial. Ao mesmo tempo que o empunhou e engatilhou a arma, apertando o seu gatilho por três vezes. Para sorte do homem, que estava no chão estendido e indefeso, falharam todas as três tentativas. Depressa, ele jogou a arma no chão, praguejando porque ela falhara, correu pelo beco, no sentido do rio Curimataú, e sumiu para os lados do Município de Tacima. Ainda não havia sido dessa vez que tinham conseguido o enjaular.</p>
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<p style="text-align: left;"><strong>Contos Reais do Popular Caiçarence</strong></p>
<p style="text-align: left;">Por: Valberto Costa da Silva</p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: x-small;">Bacharel em Comunicação e Direito Administrativo.</span></p>
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		<title>PACATUBA ENRICOU!</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Jul 2009 12:26:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Michel Lima</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-354  aligncenter" title="pacatuba" src="http://www.abesfes.com/wp-content/uploads/2009/07/pacatuba-300x221.jpg" alt="pacatuba" width="300" height="221" /></p>
<p>Nos idos de 1960 ali perto da praçinha por traz da Igreja Católica ao lado da casa de Dona Vanja e bem em frente à marcenaria de seu Neco, vivia uma das criaturas mais interessantes de Caiçara, seu Pacatuba. Um velho daqueles de estopim curto que ficava bravo com apelidos que a turma colocava e fazia chacota com ele. Naquele tempo ainda não havia esse sistema de aposentadoria para as pessoas que viviam exclusivamente da agricultura.</p>
<p style="text-align: center;"><span id="more-353"></span></p>
<p>Seu Pacatuba morava em uma casa daquelas de taipa com uma porta e uma janela mais ou menos com uns cinco metros de frente por uns quinze de fundos sem luminosidade nenhuma e sem ventilação, pois as casas nessa rua são de paredes de meia, ou seja, uma parede serve para duas casas ao mesmo tempo, sem contar com a sujeira que se acumulava no meio dos gatos e cachorros que transitavam livremente lá por dentro. Ele era casado, mais no momento não lembro do nome de sua esposa. Só sei que vivia da roça e todo dia atravessava o rio que ficava por traz de sua casa (rio curimataú em tempos de chuvas já que o seu leito é seco na época da seca), para ir para o roçado que cultivava na base da enxada em terras de seu Tonheiro, fazendeiro de nossa cidade digo no Município Vizinho de Tacima porque o limite do município de Caiçara é o meio do leito do rio, e essa era sua rotina. Quando chegava a tarde se tivesse água no rio tomava lá mesmo o seu banho, se fosse em época de seca passava em uma cacimba de água salgada, diga-se de passagem, e se lavava (os pés e o rosto) para chegando em casa comer algumas batatas doce cozinhadas com café. Depois ficava sentado no batente de sua casa para esperar a luz do motor ser acesa e iluminar alguns pontos eleitos pelos poucos postes espalhados. A turma que estudava a noite no Grupo Escolar João Soares e no Ginásio Comercial de Caiçara, começava a passar pra ir pra escola e metia o grito em alto e bom som PACATUBA ENRICOU, PACATUBA ENRICOU, essa criatura de levantava transtornado e procurava logo algumas pedras e começava a arremessar na turma era uma batalha, de uma lado a garotada e rapaziada gritando PACATUBA ENRICOU e de outro seu Pacatuba comendo todo mundo na pedra. Teve um dia de Domingo a tarde que estava havendo jogo de vôlei na quadrinha que havia ali do lado da Igreja, onde hoje é a rodoviária, e ele estava por ali assistindo ao jogo quando alguém gritou a senha e aí começou o alvoroço porque sem que ninguém tivesse percebido ele estava de posse de uma pequena roçadeira daquelas de cabo pequeno e estava dentro da camisa aí começou a correr atrás da turma e dava golpes para valer mesmo foi quando alguém se achegou, sem que ele notasse, e conseguiu tirar o seu chapéu da cabeça colocando-o na cabeça da estátua de Getúlio Vargas que ficava na praçinha então ele não se fez de rogado mandou essa roçadeira naquela estátua e gritava “me dê meu chapéu nego safado me dê meu chapéu”, essa foi uma cena hilária que pude presenciar e que não esqueço. Mas afinal de onde viria esse apelido que tanto tirava seu Pacatuba do sério?</p>
<p>Depois de muito tempo aquilo me intrigou fui indagando as pessoas então fiquei sabendo da origem que foi mais ou menos assim: Quando o rio estava com água em seu leito era costume das pessoas irem tomar banho em um poço lá perto da casa de seu Zé Lucas, que naquele tempo morava na sede da fazenda de seu Tonheiro, e esse local se chama de Pedra da Cajarana, hoje cantada e enaltecida pelo poeta, compositor, cantor e nas horas vagas Secretário de Educação do Município o nosso Zé Carlos. Um certo dia por ironia do destino estava tomando banho, no final da tarde, uma turma da pesada chefiada, segundo me falaram, por Jaime de Manoel Anízio, Marcos de João Queiroz, Privida e Outros quando notaram que seu Pacatuba vinha ao longe no sentido de onde eles estavam e até aquele momento ainda não tinha visto a turma tomando banho, então eles, mas que depressa pegaram sua roupas e tudo o mais que pudesse os denunciar se esconderam por traz da pedra da cajarana. Seu Pacatuba chegou tranqüilo tirou a roupa foi se dirigindo para o poço e antes de entrar molhou os dedos para fazer o sinal da cruz , quando ele colocou a mão sobre a testa para iniciar o sinal alguém deu um gemido daqueles de alma penada UUUUUUIIIIIII,UUUUUIIIII, o velho parou imediatamente os movimentos ficou extasiado prestando atenção, nesse momento a turma ficou quieta, aí ele olhou para os lados e não viu nada então fez aquele gesto como se fosse apenas uma ruído qualquer entrando na água então alguém chamou o seu nome PACATUUUUUUUUUUBA OU PACATUUUUUUUUBA, aí o velho deu um pulo pra fora do poço e falou pra si mesmo isso é uma aima e eu vou requerer ela, e a voz outra vez PACATUUUUUUUBA OU PACATUUUUUUBA ele falou de novo eu vou requerer essa aima então requereu quem ta aí é uma aima de paz se for de paz diga o que tu quer?  Aí alguém teve a brilhante idéia de continuar o papo do além e perguntou: PACATUUUUUUUBA OU PACATUUUUUUUUBA você quer enricar? Aí seu Pacatuba respondeu: quero aima santa quero aiminha de Deus eu quero então a voz respondeu, pois vá da o &#8230; , ele pulou pra traz tentando olhar prá traz da pedra e logo respondeu: vá você aima fresca vá você. Agora está explicado o porquê de tanta ira quando se falava nesse assunto.</p>
<p>Resgate do popular Caiçarense.</p>
<p>Valberto Costa da Silva</p>
<p>Bel em Comunicação e Direito Adm. Municipal</p>
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